terça-feira, 9 de outubro de 2012

Nove anos depois de ti, Mãe


Nove anos sobre o dia em que te perdi,
aumentaram a saudade pela tua ausência.
Sofro se lembro o último dia em que te vi
Aperta-se o coração pela tua inocência.

Não sei se me ouvias ou se me vias
em angústia vendo aproximar-se o fim
Nem tão pouco sei se a morte sentias
rondar-te qual abutre, sem dó de ti nem de mim.

Chorei tua partida, não mais te quis ver
Senti, como jamais pensei vir a sentir
a dor, a mágoa que para sempre vou sofrer
de te não ter, de te não ver, sempre a sorrir.

Lá onde estiveres, tocada pela felicidade,
alivia-me pensar que poderás tê-la ainda mais
pois, com a vida insatisfeita e na amizade
Lutaste até teu barco chegar ao triste cais!

Mª Dulce Branquinho

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Ontem fui ver o mar



Ontem fui ver o mar.
Como estava lindo!
Enchi os meus olhos
e o meu peito,
de mar.
As ondas, desmaiando na praia,
em vai vens cadenciados,
desfeitas em espuma branca,
tão puras!
O sol criava reflexos tão luminosos
naquele verde azul,
quase encandeando os meus olhos,
tornava as águas mais brilhantes
e sedutoras.
Vi gaivotas sobrevoando em voos planados
como que dançando ao som do mar
e do vento, livres!
Da falésia, o mar a perder de vista.
Como me senti feliz!
Gosto  do mar, imponente,
forte e indomável, como toda
a Natureza.
Gosto de me sentir pequenina
diante dele,
gosto de o amar
embora o tema.
É tão belo e arrebatador,
o mar.
Faz-me tão bem,
o mar!

Mª Dulce Branquinho

domingo, 19 de agosto de 2012

Do meu quarto vejo o Tejo



Castelo de Almourol - uma ilha no Tejo

Da varanda do meu quarto
olho o Tejo  incessante,
cumprindo o seu destino.
Tantas são as saudades,
vai fluindo, abraçar o mar,
como abraça a mãe de saudades,
o menino.
Numa mistura de revolta e alegria,
segue o seu caminho,
rumo ao mar largo e agitado.
Nada mais dele se ouvirá falar
algum dia,
no Atlântico enorme,
profundo e salgado.
É assim este Tejo em seu longo serpentear,
fértil, e determinado
na sua caminhada resoluta.
Espelho do sol,  à noite cama  do luar,
têm vida as suas margens
onde fervilha dia a dia,a labuta.
Encerra segredos, em suas águas e
lendas  de magia e mistério.
Tuas ninfas inspirarão
dores e mágoas porque
foste águas de partida
para o luso império.
Bendito sejas,  ó Tejo encantado,
berço de tantos poetas e pintores.
És rio grande de mil cores pintado,
 pai generoso e muito amado!

Mª Dulce Branquinho

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Mar revolto


Olhando mar, enrolando na espuma,
talvez revolto, tal como a minh'alma.
Repouso nele o meu espírito,
como preciso!
Sinto nele toda a vida
que me faz resistir
a tanta tristeza.
Alegra-se um pouco o meu coração,
como se ali, renovasse esperanças.
Encho o peito de ar, respiro fundo e
quero ainda continuar.
Meus olhos enchem-se de sal, ardem,
limpam-se da dor e vêem mais claro.
Não desistas, não desistas, fala-me uma voz
que não sei o nome. Serei eu?
Não saberei nunca, mas vou continuar,
acreditando nela.

Mª Dulce Branquinho

sábado, 23 de junho de 2012

Tão distante!



Vejo-te a alma no olhar
frio e distante,
Sinto-te longe pelo bater do coração,
lento, sem chama.
Secam-me os olhos,
arrefece-me a alma,
chove no meu peito
dói-me o sentir,
cada dia mais 
pela  tua lonjura.
Frio está o fogo
do sangue que em nós
fervia.
Restam hoje as cinzas
 já geladas pelo tempo 
que correu 
sobre esse passado
tão feliz!

Mª Dulce Branquinho

domingo, 10 de junho de 2012

Há vida na planície


Olho a  charneca sob um sol ardente,
ondulando ao ritmo quente do  suão.
Serpenteiam répteis de corpo fremente,
lutando pela vida, acariciando o chão.

Sob o solo outros seres da planura,
escondem-se do sol  implacável.
A hora da sesta convida à brandura
pausando a vida no Alentejo admirável

Planam no céu rapinas de olhar atento.
Pobres os que ignorantes se aventuram
a ser, por certo, o tão  desejado sustento
dos que, sendo mais  fortes aqui perduram!

Mª Dulce Branquinho

sexta-feira, 1 de junho de 2012

dia Mundial da Criança


Olhar para ti criança,dói-me na alma
de te ver de futuro tão incerto.
Doí-me no peito o que adivinho para ti:
céus cinzentos, mares revoltos, muito frio!
Como será, me pergunto,  teu amanhã?
Terás sonhos?
Serás feliz?
Verás os teus e sorrirás tranquila?
Poderás tu  fazer avançar esta bola,
agora tão pouco colorida?
Neste ainda tão jovem milénio, de bom
pouco se adivinha.
Poderás  tu, um dia, ser
o que para ti hoje sonhamos?
Decerto faremos tudo hoje
para que amanhã
sejas tu a escrever este poema!

sábado, 26 de maio de 2012

A canção Sérvia do Festival Eurovisão da Canção 2012

Esta é a minha favorita, uma vez que a portuguesa, aliás como já era de prever, foi eliminada. 
Ouçam, é linda!



segunda-feira, 7 de maio de 2012

As Mãos

Mãos marcadas pela vida, calejadas pelo tempo,
olhos baços de desânimo, almas que choram
 por não ver a luz no túnel escuro sem saída.
 Aqueles antes trabalhadores, olham agora
sem esperança  o futuro vazio de presente.
Calos, mágoas, cansaço que é deles?Onde jazem?
Sepultados nas almas dos que olham o passado,
saudosos desses dias duros mas sem fome.
A labuta pelo pão é agora a mão estendida
aos solidários que dão sem nada por troca pedir.
Pedir o que é de direito é ultraje, infâmia, corrói,
revoltando as entranhas dos que ganhavam o sustento.
As mãos, outrora de trabalho, têm que ser agora
dadas em dura luta pelos direitos já perdidos.
Mãos todas unidas terão mais força, não desistam!
LUTEM!

Mª Dulce Branquinho