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terça-feira, 5 de outubro de 2021

Outono



Amarelos torrados, 
vermelhos escuros,
castanhos e castanhas, 
chuva miudinha, 
aborrecida,
nuvens escondendo o calor 
em entristecidas sombras.
Dias curtos, deprimentes 
natureza decadente, 
o outono é seu fim 
e seu princípio.
Morre agora, 
apodrece,
e a seu tempo renascerá 
em toda a sua força, 
alegrando almas,
adoçando corações, 
aquecendo o corpo.
Triste mas belo, é
tempo de reflexão,
recolhimento,
introspeção profunda.
limpeza das almas,
cinza fértil.

MDBranquinho

domingo, 20 de março de 2016

Viva a Primavera!



Março,e lentamente,
a natureza a despertar!
De um sono profundo e frio,
vai-se devagar, espreguiçando,
Ainda estremunhada e,
com o sol ainda amedrontado,
vai sorrindo e espalhando a cada dia,
mais vida, mais cor.
Toda a natureza cumpre o seu ciclo,
renasce, qual Fénix,
 e assombra, a cada dia,
com seus mistérios e prodígios.
Os tons cinza acastanhados
de um tempo de pausa,
vão-se tornando mais viçosos.
A natureza rejuvenesce
animada pelos trinados do amor.
O sol está agora mais límpido,
 mais quente,acolhedor.
Já sei, é Primavera!
Mª Dulce Branquinho

sábado, 26 de setembro de 2015

Vi no Alentejo



 Monte Alentejano com Papoilas 2006 - Óleo sobre tela de linho - Salvação Barreto

No verão, as amoras negras nos silvados
que visão que apelo!
As maias à beira dos caminhos 
na Primavera, que luz, 
que alegria!
As papoilas vermelhas
lembrando o sangue
 derramado em terras de luta!
O rosmaninho  a espreitar
por entre ervas companheiras,
que sugestiva a sua cor!
Vi castanhas ainda dormindo 
em seus refúgios,
anunciando a chegada do outono.
As videiras  amadurecendo seus cachos,
que hão de ser doces e mágicos 
por um sol implacável!
Vi pássaros voando, planando, 
das  suas vidas cuidando.
Vi sobreiros, vi azinheiras que retorcidas,
teimosamente resistem e se projetam
 na terra seca.
Vi montes, vi cabeços,
 vi ribeiras de águas caladas.
Ouvi o silêncio deste lugar em paz,
inspiração maior de um sonho tão real!

Maria Dulce Branquinho

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Amanhecer na planície



Acorda o astro rei
 na planície Além Tejo 
e toda a natureza
desperta aos seus 
primeiros raios!
Depois do fresco orvalho
reparador,
anuncia-se agora, 
mais um dia abrasador!
É Verão.
Tudo é escaldante sob o sol
lá no alto.
Toda a vida resiste,
se recolhe e persiste,
avezada,
a esta luta incessante,
pela sobrevida!
Na planície, como em
nossas vidas,
é na luta que em frente 
seguimos, 
rumo aos nossos sonhos 
caminhamos!
Mª Dulce Branquinho


sábado, 11 de julho de 2015

Heróica Natureza


Oh heróica natureza de belas paisagens
assassinadas,
que a tantas feridas resistes!
Sejam as fúrias dos deuses, as mãos 
da estúpida ganância do Homem
ou a  tua própria revolta
 contra todos os desmandes.
Línguas de fogo,
venenos em águas claras, 
restos do consumo incontrolado,
roubos ao espaço 
de vida de outros seres,
para glória dos (des)humanos.
Resistes  ainda assim estoicamente
empenhada em prolongar
tuas fontes de vida imaculadas.
Mas não, o lucro é cego pela fome 
da riqueza e,
usando-te em ignorância,
se ilude com o progresso que corre
em direção ao seu doloroso FIM.

Mª Dulce Branquinho