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quarta-feira, 6 de outubro de 2021

Eu queria dar-te flores...



Mamã, eu queria tanto dar-te flores, mas
estás tão longe naquele Outono que te levou!
Noutras paragens, sei lá quais,
onde te encontras,
não te as poderei oferecer,
jamais!
Penso se em nós pensas, os que deixaste
numa tristeza incessante,
dolorosa ferida aberta,
que sei não sarará!
Esta dor profunda é rasto que me sulca
dia a dia,
uma saudade sem medida,
uma revolta que me não larga.
Lamento hoje, tudo o que te  não disse,
merecidas palavras, por
todo o teu amor!
Serás viva para sempre na saudade e na lembrança,
Mãe minha serás, amada eternamente!

MDBranquinho

terça-feira, 5 de outubro de 2021

Outono



Amarelos torrados, 
vermelhos escuros,
castanhos e castanhas, 
chuva miudinha, 
aborrecida,
nuvens escondendo o calor 
em entristecidas sombras.
Dias curtos, deprimentes 
natureza decadente, 
o outono é seu fim 
e seu princípio.
Morre agora, 
apodrece,
e a seu tempo renascerá 
em toda a sua força, 
alegrando almas,
adoçando corações, 
aquecendo o corpo.
Triste mas belo, é
tempo de reflexão,
recolhimento,
introspeção profunda.
limpeza das almas,
cinza fértil.

MDBranquinho

sexta-feira, 3 de julho de 2020

Na tarde cálida...



Postais Online: Amor ardente!


Na tarde cálida e sugestiva havia em mim 
a certeza de um prazer único que se adivinhava
indelével em cada poro, 
em cada canto do meu corpo,
já ardente...
O meu vestido preto exalava um calor
mais forte, mais penetrante e o corpo fremente,
pedia, implorava!
Nos nossos corpos sentíamos o cheiro
a desejo que nos impelia, nos instigava...
A cada toque teu, suave, quase impercetível, 
o meu corpo ia-se libertando do real...
Empurrados, um contra o outro, sentia-te
numa lascívia estonteante e incontrolável!
Era a ameaça do vulcão a acordar...
Entre gemidos, voltas, beijos molhados,
mãos em cada canto, bocas partilhadas, 
corpos enrolados, o vulcão finalmente 
explodia!
Como se fosse o fim da existência, havíamos entrado
numa outra Dimensão onde o racional se tornou
inútil, onde a lascívia vencia a timidez e o desejo
comandava sem limites ou pudores!
Tocada em cada canto,surpreendida a cada momento,
Fui Mulher,
Fizeste-me Mulher!

sexta-feira, 29 de novembro de 2019

Sou mais EU

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Sinto-me diferente.
Estou finalmente
invadida por uma 
Luz 
que me guia, me ilumina e
me enche de 
Mim!
Só posso dar graças por esta
Graça!
voltei a sentir-me
Mulher,
tão plena de tudo!
Sou agora muito mais,
Sou agora o que sempre
Fui
e não se via.
Vejo-me por dentro,
mais 
Forte,
mais
Real!
Começo a sentir que à 
Vida
regressei.
Depois de tempestades
revoltantes que me atingiram
no mais fundo do meu
Ser,
Estou, agora completa
e sinto-me  muito mais
EU!

Fecho meus olhos

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Fecho meus olhos e sinto
a brisa salgada,
um turbilhão de memórias 
que me assalta,
brutal e impiedoso!
lembro o peito cheio
de alegria,
uma alma plena 
de calma,
sorridente!
São memórias,apenas e só
de um tempo que já foi e 
prometeu.
Agora fica um vazio, tão oco,
tão doloroso e frio!
Ferida aberta.
Tão profunda, sangrando,
copiosamente,
ansiando por ser sarada,
num toque de Magia!

MDBranquinho

domingo, 20 de março de 2016

Viva a Primavera!



Março,e lentamente,
a natureza a despertar!
De um sono profundo e frio,
vai-se devagar, espreguiçando,
Ainda estremunhada e,
com o sol ainda amedrontado,
vai sorrindo e espalhando a cada dia,
mais vida, mais cor.
Toda a natureza cumpre o seu ciclo,
renasce, qual Fénix,
 e assombra, a cada dia,
com seus mistérios e prodígios.
Os tons cinza acastanhados
de um tempo de pausa,
vão-se tornando mais viçosos.
A natureza rejuvenesce
animada pelos trinados do amor.
O sol está agora mais límpido,
 mais quente,acolhedor.
Já sei, é Primavera!
Mª Dulce Branquinho

quarta-feira, 2 de março de 2016

From the moment I met you





It's been hard,love
to live without you.
It's been hard,love
to know you're far
away 
somewhere
outhere.
Since we met
I know I'm happy.
You say you're happy
but our love
is nothing but
words 
we write 
and share 
every night
until our bodies
beg us to stop.
My mind touches you 
every night
 but you don't feel
a thing.
My heart beats
like mad
but you can't listen
 to it.
My frement body
 falls asleep
untouched
lonely
and
 cold.
Shall we survive
to this pain?

Maria Dulce Branquinho


sábado, 20 de fevereiro de 2016

Da guerra para a guerra

Fogem desesperados
em ondas de esperança,
mediterrânicas, cinzentas
espumando de raiva.
Esta raiva de ser túmulo,
esta raiva produzida pela guerra,
espuma batendo nos cascos,
rasgando as águas, 
rumo à felicidade.
Que felicidade é esta 
de deixar para trás 
uma vida, um berço?
A euforia da paz, tantas vezes
aparente e tão relativa.
É apenas a paz de uma guerra 
aberta pelo fogo, do cheiro a morte.
É outra a nova guerra.
Da incompreensão,
do medo, da rejeição 
do desconhecido.
Magoa, fere e mata 
toda a esperança, acalentada
numa longa caminhada.
E agora, que vida?
Mª Dulce Branquinho


domingo, 17 de janeiro de 2016

Sinto frio

Este frio que agora sinto, 
esta amargura 
que me invade o peito
transportam-me os sonhos
para um lugar quente e doce.
Um sítio onde o sorriso
é feição e a alegria 
o traço dominante!
Não me agrada a soturnidade,
rejeito o sobrolho franzido,
a testa enrugada,
o olhar baço.
Alegram-me os olhos brilhantes,
as gargalhadas sonoras,
o sentido de humor,
 sol na alma,
alegria de viver e 
esperança no amanhã!

Mª Dulce Branquinho

sábado, 9 de janeiro de 2016

My Summer breeze


You are the wild summer breeze
that came to warm my bitter heart
on a long winter night to freeze
touching my life and take its part.

My soul now shines, so bright
of joy and happiness never to end
My life has turned day from night
like a sunshine  that never meant.

I now can show who I really am:
Cheerful, kind and a lot more tender
from the moment we together came
to find our twin souls  remember?

My love  is so clear soft and pure
I fear can lead  to a wise madness
You fill my thoughts be always sure
      My heart is yours forever - endless!

Mª Dulce Branquinho

domingo, 20 de dezembro de 2015

Doem-me as lembranças



É no Natal que mais me doem
as lembranças!
Tempos longínquos envoltos
em coloridos tons,
imagens de alegria, 
sons de família, 
odores quentes
de uma casa viva!
As cores do Natal, presentes
em cada canto,
 iguarias feitas com amor,
 por mãos sábias
das minhas mães,
tão queridas!
Saudades, ninguém me as tira
do tempo fértil em cumplicidades,
da mesa apetitosa, 
da azáfama,
do nosso Natal!
Ouço ainda as vozes animadas
daqueles memoráveis dias,
sinto as ausências 
dos que partiram
e me fazem
tanta falta!
É assim agora o meu Natal:
Lembrança dolorosa.
Mª Dulce Branquinho

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Memórias

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Tenho na alma 
as lembranças
tão boas 
de um passado feliz!
Doem-me de tão distantes 
as memórias porque 
apenas o são.
Não as quero 
de tanto as amar!
Se as não posso jamais
 reviver, 
de que servem 
essas quimeras?
Lágrimas 
escorrem -me da alma,
por uma ilusão desfeita 
num despertar tão triste e cruel!
Eu queria ser uma pedra,
uma rocha
inerte, 
rija e
insensível.

Mª Dulce Branquinho

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Não consigo compreender

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Sinto a raiva da vergonha
de ser Humano.
Dói-me a alma pelos que partiram.
Não consigo compreender.
Na minha mente a escuridão.
Que Deus é este que permite
a morte em seu nome?
Não consigo compreender.
Enoja-me ver os rostos
dos que a sorrir nos fazem chorar.
Não consigo compreender.
Que seres sem alma, sem dor,
põem fim a vidas humanas,
sem arrependimento, 
sem pudor?
Não consigo compreender.
Não é ódio o que sinto.
É somente dor, raiva e vergonha.
É mais uma desilusão.
É mais uma acha na fogueira
da minha descrença.
Consigo agora compreender:
Deus não existe!
Deus, se existe, é mau,
cruel e não ama!

Mª Dulce Branquinho

sábado, 26 de setembro de 2015

Vi no Alentejo



 Monte Alentejano com Papoilas 2006 - Óleo sobre tela de linho - Salvação Barreto

No verão, as amoras negras nos silvados
que visão que apelo!
As maias à beira dos caminhos 
na Primavera, que luz, 
que alegria!
As papoilas vermelhas
lembrando o sangue
 derramado em terras de luta!
O rosmaninho  a espreitar
por entre ervas companheiras,
que sugestiva a sua cor!
Vi castanhas ainda dormindo 
em seus refúgios,
anunciando a chegada do outono.
As videiras  amadurecendo seus cachos,
que hão de ser doces e mágicos 
por um sol implacável!
Vi pássaros voando, planando, 
das  suas vidas cuidando.
Vi sobreiros, vi azinheiras que retorcidas,
teimosamente resistem e se projetam
 na terra seca.
Vi montes, vi cabeços,
 vi ribeiras de águas caladas.
Ouvi o silêncio deste lugar em paz,
inspiração maior de um sonho tão real!

Maria Dulce Branquinho

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Brisa da serra



Sinto agora a fresca e pura brisa da serra
que me acalma e me afaga as memórias
de contos sobre dores da fome e da guerra,
 o medo a crescer-me em secretas histórias.

À lareira no crepitar do lume aos serões
vi demónios soltos em chamas vibrantes,
vi lobisomens, bruxas, sapos e escarpões
que me invadiam em sonhos delirantes.

À luz do dia era mais feliz a velha aldeia:
o som das vozes gritadas todas as manhãs,
o cantar dos galos, o zumbir da colmeia,
colhendo amoras, figos ou frescas maçãs.

Era a vida  na velha aldeia de carvalhos,
de um povo tisnado e rijo de terras raianas;
brancas casas de  telha vã e frescos soalhos,
fugindo ao sol a castigar terras alentejanas!

Maria Dulce Branquinho

sábado, 15 de agosto de 2015

Step by step to the end


Step by step older we all grow
on our ways towards the end.
When to stop we'll never know
 if our mistakes we will ever mend.

Taking pleasure of living times
  reason we came to this very life.
Mine hasn't had too many signs,
 as often I've been in a hard strife.

Nobody cares about my feelings,
Nobody knows me so well as you
Nobody inside of me was digging
trying to find about my real true.

Mª Dulce Branquinho

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Meus lírios, minhas mágoas

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Olhei os lírios campestres em suave magia
despontando em sua cor meu sofrimento!
Mágoas me transmitiram que eu já sentia
no fundo da minh' alma, constrangimento!

Na solidão da planície minha tristeza despejei
e em longos instantes sem pressas a percorri.
Como moribunda de alegrias meu sonho matei,
afogado em lágrimas que ali tão solitária verti!

No ar o aroma dos lírios se mantinha ileso
qual vigília à mortalha de meus puros desejos!
No firmamento a noite vinha de luar aceso
guiar meus passos em direção a teus beijos!


Mª Dulce Branquinho

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Amanhecer na planície



Acorda o astro rei
 na planície Além Tejo 
e toda a natureza
desperta aos seus 
primeiros raios!
Depois do fresco orvalho
reparador,
anuncia-se agora, 
mais um dia abrasador!
É Verão.
Tudo é escaldante sob o sol
lá no alto.
Toda a vida resiste,
se recolhe e persiste,
avezada,
a esta luta incessante,
pela sobrevida!
Na planície, como em
nossas vidas,
é na luta que em frente 
seguimos, 
rumo aos nossos sonhos 
caminhamos!
Mª Dulce Branquinho


segunda-feira, 3 de agosto de 2015

O Meu Filho


Alto, esguio, de andar saltitante, 
olhos grandes e vivos de uma 
invulgar inteligência-
 é assim o meu filho!
Temperamento amável,
por vezes tímido e, não raro impaciente,
ama o saber, despreza o ódio
de ignorâncias feito.
Questiona, procura,
divide-se em saberes vários e
em suas demandas não se cansa.
Meu filho, minha vida,
razão do meu ser
alegre e lutador!

Mª Dulce Branquinho

sábado, 1 de agosto de 2015

Vila-Moura



De gentes passageiras,
moira encantada na magia
do AMOR,
como uma miragem 
ergues-te sobre um chão fértil.
Outrora por sábios povos 
escolhida,foste 
sua terra muito amada.
És, hoje, oásis dos Algarves
 daquém mar
de Portugal,
urbe florida,
de bem estar, 
em todas as estações,
fonte de Amor,
refúgio abençoado!
Mª Dulce Branquinho