sábado, 23 de julho de 2011

Mar, meu amigo


Se eu puder olhar o azul do mar
calmo ou revolto,
Se eu estiver triste,
Se nenhuma mão me puder consolar,
Se nada neste mundo me fizer sorrir,
é ele, o mar, que me traz
a paz que o meu espírito grita.
É ele, o mar, tão grande,
capaz de recolher todas as pérolas
de sal que aclaram e purificam
a minha alma escura,
melancólica, saudosa,
sangrando por qualquer dor.
É ele o mar, tão lindo, tão forte,
nosso pai, fonte de vida, o único que,
sem palavras,
ouve os meus lamentos,
recebe todas as  lágrimas,
torna mais leves meus pesos.
Mesmo se o não visse,
apenas o ouvisse,
Seria ele, o mar,
o som do seu vaivém,
o cheiro da sua vida
que haveria de tornar
todas as minhas dores menores.
Mas não, não vejo o mar, não o ouço
sempre que dele preciso.
Triste, amargurada,
já não rio como dantes.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Sonhando vivemos I


Dói-me a alma pelo tempo que foge.
Tão veloz, esta passagem, como vento que sopra
e nos incomóda, nos põe nostalgicos, a recordar...
Recordar é viver.
Será?
Ou antes a evidência, inevitável
do caminho cada vez mais curto?
Efémera esvoaçando inconsciente da vida breve,
esta existência angustiante de sermos conduzidos
na estrada que nos leva - a Vida.
Tempos breves os dos sorrisos, alegria e sonhos
parecendo quando crianças inesgotáveis, porém
tão aparentes na sua verdade.
Tantos sonhos, onde estão?
A vida sem sonhos é mera existência.
Sonhemos, inventemos mais sonhos, cada dia
prolongando nossas vidas,
na sede de alcançá-los.
Os sonhos impelem-nos, obrigam-nos a lutar,
a vencer batalhas,
 a sentir o sangue correr nos nossos corpos
cansados,
mas tão vivos!

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Chove nos meus olhos


Dias de chuva morrinha,
tristes, melancólicos,doentes,
Irmãos dos meus dias
quando a saudade me visita.
Sinto-me só.
Tantas vezes, tão só!
Uma solidão me atinge a alma
e molha as minhas janelas
onde as gotas de chuva se detêem
e escorrem no vidro frio e
embaciado.
No meu peito sangram saudades
Na minha alma as feridas não saram!
As minhas mãos vão produzindo o que
aprendi e não quero esquecer.
Ficou muito por confesar e outro tanto
por partilhar, contigo mãe.
Preciso tantas vezes do teu saber,
do conforto de te saber ali.
Sinto cada dia mais a revolta inconformada
de te ter perdido.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Tempo sem estrelas



O tempo dá e é ladrão.
Com o tempo ganhei
tudo o que sou, mas perdi,
a que outrora era sonhadora,
cheia de esperança, crendo
no tempo.
Flori a minha única esperaça
de ver meus sonhos reais,
mas,em pouco tempo perdi
aquela que me deu vida.
O que o tempo me deu
em sabedoria e sensatez,
foi-me tirando no amor
de alguns que mantenho
vivos, embora
não presentes.
Tirou-me a ilusão
de um mundo melhor, onde
a solideriedade e o amor fossem
bússola,
astrolábio,
ou simplesmente,
estrelas!